sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Ena pá, a fossa está entupida!

Como já tinha dito num post anterior, existe uma certa intimidade/promiscuidade entre a nossa WC e a cozinha da vizinha, pois então, esta manhã algo de inesperado aconteceu.
Estava eu no duche às 07h00 da matina, refastelado a tentar acordar, quando de repente ouço berros, pancadas, coisas a cair... algo normal, pensei eu, a Samira, Africana, Zamora (uma das +-10 filhas da vizinha) está a apanhar outra vez... mas não, era mesmo a senhora esbaforida, processa, a bater na janela a dizer que eu lhe estava a inundar a cozinha com merd****, enquanto ela estava a cozinhar.
Ena pá, a fossa está entupida!
Ora eu primeiro que percebesse que a maka era comigo e até estava só meio ensaboado continuei como se nada fosse e aquilo a inundar. Bem lá acabei o duche, continuei a ouvir desaforos, fui para o quarto, tratei de me vestir e de sair de casa o mais rápido possível. Vamos lá ver como vai ser a entrada em casa logo à noitinha, se houver maka peço ao segurança para ir buscar a kalash à despensa.

Ainda bem que me sinto seguro!

Isto de viver em Luanda não é fácil, os relatos de assaltos e violência são constantes, à conta disso existe uma "indústria" de agências de segurança que são dos principais empregadores do país. Todas as casas têm em média dois ou três seguranças que se vão revezando nos diversos turnos garantindo uma protecção de 24 horas.

Acabei de chegar do almoço, entrei, bati a porta, fui buscar a máquina e aqui está...

Ainda bem que eu me sinto seguro!


O "gira bairro" preparado para a neve.

Existe em mim uma dúvida que me assola profundamente, aqui na Tchamja há muitos carros importados, tudo o que é Toyota Starlet (aka “Gira Bairro”), Corolla e Rav4 vem da Bélgica, Suíça, Holanda e Alemanha, até aqui tudo bem, não fosse o facto dos carros terem todos os autocolantes na traseira que indica a sua proveniência, sem isso nem se dava pela diferença.
Ora bem lá na Europa no mercado de usados os carros são vendidos normalmente com kits e acessórios para a neve, os comuns “porta skis", são uma constante porque a neve cai em grandes quantidades e isso é normal, ora a malta aqui acha uma piada aquilo e mantêm os carros com os acessórios. Então é super normal ver carros com as barras no tejadilho com “porta skis” e por vezes, melhor ainda, desencontrados, ou seja, na barra da frente no lado direito e o da barra de traz no lado esquerdo, existem ainda aqueles modelos mais xunning em que são colocados juntinhos na traseira a servir de “aileron”.

Ele há coisas fantásticas, não há...!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

A minha cruz...

A pedido de várias famílias passo a descrever a minha rotina diária, para que não pensem que isto é só lazer:

De 2ª a 6ª

07h00 – Alle ups, alvorada, grua para sair da cama, guindaste para me levar até ao duche e mal entro no WC já sei o que vai ser o almoço da vizinha, é que o nosso WC dá para um pátio/cozinha da casa do lado e a senhora faz comida para fora em quantidades industriais por isso começa +- às 06h30 - 07h00 a cozinhar. Já quase que dá para saber a ementa conforme os dias da semana, à 5ª é bacalhau e à 6ª feijão/grão algo do género. No outro dia era pato ou galinha, se o bicho lá chegou vivo, isso não sei, agora que o bicho foi depenado e chamuscado e outras coisas mais isso o meu nariz sabe que aconteceu. Nota explicativa: A casa tem janelas e vidros, mas por norma no WC ficam fechadas apenas as portadas laminadas exteriores.

07h45+-08h30 – O reencontro com a cidade/trânsito/confusão e tudo e tudo e tudo...
O pequeno trajecto de +-3km pode demorar entre 5 a 45 minutos e pelo que dizem quando começar a chover a sério este percurso pode mesmo ser impossível de realizar, porque os buracos que por enquanto só fazem alguma moça aos amortecedores passam a engolir o carro por completo. Pelo caminho vamos encontrando os mais diversos cenários, desde a relativa normalidade do nosso bairro, ao acesso há zona dos palácios, o trazan debaixo da palmeira desde o 1º dia que aqui cheguei (nome artístico dado por nós, a um tolinho que vive num jardim e que traja uma tanga/farrapo igual ao tarzan), a zona dos palácios com um aspecto completamente europeu, bons arruamentos, jardins, boa iluminação. A passagem a serpentear tipo candongueiro para ver quem consegue meter a frente nos cruzamentos, passar o sinal vermelho para atravessar a estrada e começar a subir até às Ingombotas. Pela rua fora tentaram-me vender pelo vidro “fechado”, canetas Mont Blanc, relógios Diesel, óculos Ray Bantes, cruzetas, escovas para o carro, tapetes, material de escritório, jornais, pão, peixe, carregadores de telemóvel, telemóveis, sapatos, camisas e gravatas, secadores, ferros de passar, ventoinhas, há mais, mas já estou farto de escrever.

08h30 – 12h45 – Labuta para ganhar o kumbu para a pápa.

+-12h45 +- 14h00 – Almoçarinho numa casa aqui do outro lado da estrada, onde moram outros expatriados.

14h00 +-19h30 – Mais kumbu.

+- 20h00 +- 20h30 – O percurso inverso com as mesmas makas mas completamente de noite.

20h30 – 22h30 Devorar a janta e aterrar no sofá, botar conversa fora ver os telejornais da SICN ou RTP, tentar manter a pestana aberta até às 22h30 e em ocasiões especiais até ver um filme nos TVC.


Fim de semana (isso já conhecem)

Praia na Ilha, Praia em Cabo Ledo, Praia no Mussulo, dar uns giros e espalhar algum brilho.

ps: vou tentar ilustrar este post com fotos dêem-me tempo, tá!

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Diz que é uma espécie de Tigre de Benguela



Mostra-lhe uma cabeça de camarão e vê como fica domado, até parece um gatinho!

Cores & Sabores






Gambas ao Alho muito saborosas.

Calulu é um prato típico de Angola. Pode ser confeccionado com peixe seco e fresco ou com carne seca. Entre os restantes ingredientes contam-se o tomate, o alho, os quiabos, a batata doce, o espinafre, a abobrinha e o óleo de palma.

O Funge ou Pirão é um acompanhamento culinário típico de Angola. É confeccionado com farinha de milho ou de mandioca (bombó). A farinha é cozida e mexida com muita frequência e de forma enérgica para que se obtenha a consistência certa. A variante feita com milho adquire uma tonalidade amarela, enquanto que a confeccionada com mandioca apresenta uma cor acinzentada, com laivos de castanho. A consistência final assemelha-se, de certa forma, a uma cola, dado o seu carácter pegajoso.

Jindungo, também é conhecido pelos nomes de maguita-tuá-tuá, ndongo, nedungo e piripíri. Concentra na sua composição altos índices de vitamina C, ácido fólico, betacarotenovitamina A, vitamina E, magnésio, ferro e aminoácidos, além de diversas substâncias anticancerígenas.

Caipirinha de Maracujá, palavras para quê?

Mausoléu Agostinho Neto - Centro Cultural

Presença constante na cidade e em construção à alguns anos o imponente Mausoléu Agostinho Neto, onde funcionará também um Centro Cultural.

António Agostinho Neto (Ícolo e Bengo, 17 de Setembro de 1922 — Moscou, 10 de Setembro de 1979) foi um médico angolano, formado na Universidade de Lisboa, que em 1975 se tornou o primeiro presidente de Angola até 1979. Em 1975-1976 foi-lhe atribuído o "Prêmio Lênin da Paz".

Fez parte da geração de estudantes africanos que viria a desempenhar um papel decisivo na independência dos seus países naquela que ficou designada como a Guerra Colonial Portuguesa ou Guerra do Ultramar como também é conhecida. Foi preso pela PIDE e deportado para o Tarrafal, sendo-lhe fixada residência em Portugal, de onde fugiu para o exílio. Aí assumiu a direcção do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), do qual já era presidente honorário desde 1962. Presidente de 1975 a 1979 e foi substituído por José Eduardo dos Santos.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Super Bock Super Rock Luanda


Eu estive lá.

O 4º Festival Super Bock Super Rock – Angola teve tudo para atingir a excelência e proporcionar fortes emoções às mais de 15 mil pessoas que "afogaram" o relvado do Estádio Nacional da Cidadela. Como cabeças de cartaz a cabo-verdiana Mayra Andrade, os portugueses Xutos e Pontapés, os brasileiros Papas da Língua, o grupo cabo-verdiano Livity e a estas bandas juntaram-se os anfitriões Angolanos DJ Malvado, Turma Tommy e Impactus 4.
Da bancada VIP com acesso indiscriminado e de grátis a todo o tipo de produtos Unicer (bejecas) tive a oportunidade de assistir a este evento. Foi bem nice, até de Xutos gostei, mas com a Turma Tommy e seus bailarinos de kuduro a surpreenderem.


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Se o meu gerador tivesse rodas era um candongueiro

Este adágio de sabedoria popular aplica-se como uma luva ao gerador lá de casa.
É grande.
Toda a gente nota a sua presença, mais ainda quando está ligado.
Parece ter vontade própria porque só trabalha as vezes que lhe apetece e quando quer.
Não aguenta com muita coisa. De início ainda parece ser capaz de levar a casa às costas mas depois vai-se abaixo.
Já vamos no 3º dia sem luz ( e por arrasto a 3ª noite sem dormir) e o gerador não quer colaborar. Mais dois dias e fazemos linha. Se continuamos assim no fim de semana partimos para Bingo!
O facto do gerador não funcionar coloca-nos uma série de desafios.
De imediato temos a comida que está no frigorífico e que se estraga.
Por outro lado estamos a ficar pros na arte de fazer a barba às escuras.
Como não funciona coloca-nos a salvo do seu barulho ensurdecedor.
Mas também nos coloca a temperatura da casa bem perto dos 30 graus.


Ontem à noite tivemos banquete lá em casa, um festim digno de uma rainha.
Fomos um manjar para as melgas que apareceram sem serem convidadas. O boca-a-boca funciona muito bem por estas bandas.
Sempre ouvi dizer que dar sangue até faz bem mas o que é demais é um exagero. Só nas mãos contei 10 picadelas. Hoje de manhã as melgas e mosquitos pareciam ter aumentado o seu tamanho para o dobro e tinham dificuldade em voar.
Sei o que estão a pensar...Pusemos repelente e tentamos dormir tapados mas mesmo assim fomos picados.

Já o povo, na sua imensa sabedoria, diz: "Estar em África e não passar uns dias sem electricidade é o mesmo que ir a Roma e não ver o Papa".

Assim seja feita a vossa vontade mas para a próxima deixem-nos ter o gerador arranjado pf.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Fortaleza Views




Jogging matinal na marginal

Domingo, 10h30 da matina, 33º, um bafo e um cheiro a esgoto que não se pode, o que é que a malta se lembra. Vá!, vamos dar uma corridinha para manter a forma, ao fim de 10 minutos, parecia um pato a correr de perna aberta, o calor era tanto que fiquei com a virilha assada como os bebés, (nada que um halibut não resolva), para que fique bem claro, não foi motivo para parar a corridinha, que decorreu em ritmo endurance por mais 30 minutos. Um verdadeiro atleta!

Rendido a Cabo Ledo


Definitivamente os 100km da viagem são algo chatos o trânsito muito, mas Cabo Ledo vale muito a pena, pela praia, pela água "sopa", pela comida e caipirinhas de maracujá do restaurante.
Desta vez armado em artista do business da lagosta lá fui eu aos pescadores negociar meia dúzia de lagostas, meti uns kuanzas no calção de banho e lá fui eu. Banhito aqui, corridita ali, até fazer os 1000 metros até à outra ponta da praia...

- Chefe tem lagosta?
- Disculpa não tem.

Vamos até outro barco

- Chefe tem lagosta?
- Disculpa ainda (ainda quer dizer não)

- Chefe tem lagosta? Quanto vale o kilo.

- Tem sim! 1200 kuanza (11 euros e qq coisa)

- Ena, vai enganar outro e tal, 1200 kz pensas que por ser "pula"(branco) vais-me enganar, se quiseres a 800 kz fazemos negócio.

Negociação para aqui negociação para acolá, o gajo tinha que ir ao mar sacar as lagostas das armadilhas e tal, a coisa já estava a +- 800kz , pronto lá consegui um bom preço, para lagostas vivas acabadinhas de sacar do mar. Lembrei-me de meter a mão ao bolso para ver do dinheiro...pois... e não é que nos banhitos e corriditas o raio dos 4000 kz que tinha metido no bolso ficaram pelo oceano a alimentar as respectivas lagostas... Porra pá, sem lagostas e sem dinheiro. Chato pá, é mesmo chato!

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ok...prontos... O gerador também falha!


E quando o gerador falha.... é mesmo assim ás vezes o que parece robusto e duradouro não o é... a explicação técnica é que os guardas sacam a rede que impede as impurezas do gasóleo de entrar no motor.... resultado os calhaus, pedregulhos e afins entram na mecânica e kaput a coisa deixa de funcionar...conclusão 2 ou 3 noites com jantar à luz de vela, não é que a companhia não fosse boa, mas pá, não era bem aquele o ambiente que pá, tão a ver. Como é obvio o ar condicionado não funciona, o que faz com que as noites de 30º com aquela humidade que nos cola aos lençóis sejam algo difíceis de passar.

Brinquedos de Graúdos





segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Kissama - Kawa







No fim de mais um dia de aventuras e emoções, quando o Sol desce no horizonte, pode ser o momento para reflectir neste projecto designado por Kissama.

Mas não se fique pela reflexão.

Conheça a história desta reconstrução, acompanhe a sua evolução recente, contacte com as dificuldades e, principalmente, envolva-se, visite-o e divulgue-o.

O Parque conta com todos nós.

Parque Natural da Kissama
http://safariparques.com/parque.htm

Wild Life




Barra do Kwanza - Restaurante do Bruce





A lagosta era óptima.

Só em Africa

A 5ª fila e o Raid Candongueiro


video



Podia escrever o que se passou ontem no regresso a casa mas seria perda de tempo porque não sei se iam acreditar no que se passou.
Pelo vídeo podem ver que uma estrada de duas faixas, com um sentido para cada lado, se transforma numa auto-estrada alemã com 4 faixas no mesmo sentido com os candongueiros a utilizarem como de uma faixa BUS se tratasse. E foi aberta uma 5ª via ao lado do Suzuki à nossa esquerda. Nós fomos até à 3ª via mas depois achamos que já era demais, mas reparem no que aconteceu... para o mesmo sentido é normal seguirem 2 faixas apesar da estrada não ter capacidade para isso, mas a malta tolera e o pessoal que vem de frente vai encostando à berma, ups mais uma xxxiiiiii já são 3, olha olha outra xiiii já são 4 ehhhhhhhhhh mas 5, sim 5 viram bem 5 no mesmo sentido, é o delírio, claro está que a malta que vinha no sentido contrario não podia passar, surreal mesmo surreal.

Os candongueiros são os taxistas de Angola. Conduzem aquelas Toyotas Hiaces brancas e azuis e estão por todo o lado, até representados nas latas de Coca-Cola.

Prestem atenção ao pequeno relato que fizemos "live" sobre a elasticidade das estradas angolanas. Elas crescem e esticam à medida do fluxo de trânsito, o que à primeira vista até nem parece mau de todo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Xunning em Luanda




Diz que é uma espécie de xunning...!

Vou lançar o desafio, imaginem porque é que uma grande maioria dos carros têm estes kits nos faróis e nos vidros?

Fico à espera dos vossos comentários.

Quanto à condução, já estou integrado na forma de conduzir em Angola e essa é realmente xunning/street racer:

- Sem cinto para não sermos parados pela polícia, é que com cinto eles topam logo que somos de fora.
- Olharmos para o lado contrário sempre que vemos um polícia e normalmente eles mandam parar a malta com óculos de sol (não sei porquê mas é um facto).
- Furar por entre o trânsito sempre que possível, à descarada e sem dó.
- Ter atenção aos buracos, mas o melhor é fechar os olhos e perder o amor ao carro.

De barco até ao Mussulo








E pronto mais um domingo e mais um dia de sacrifícios...
Fomos até à ilha do Mussulo, um paraíso ao alcance de um olhar desde Luanda. A bordo do barco podemos apreciar a magnífica paisagem que se aproximava de nós, insinuando-se com as suas palmeiras, convidando-nos a explorar o seu interior e a fazer-nos desejar passar lá (muito) mais do que algumas horas.

À falta das temperaturas negativas e do snowboard, tive que iniciar nova actividade desportiva, consegui ao fim de 3 tentativas subir para cima de uma prancha de surf e ao mesmo tempo ser puxado pelo barco e fazer uma espécie de ski aquático, a sensação é óptima mas a técnica do snowboard ajudou de certeza. Umas pausas, uns lanches, uns brindes e assim se passou mais um dia.

Já tínhamos experimentado no dia anterior a força do sol mas desta vez foi bem mais a sério. Chama um figo ao protector de factor 20 e só ganha algum respeito pelos humanos a partir do factor 40. Depois de passar todo o dia ao sol, quer na praia, quer no barco, no final do dia fez-se notar em várias partes do corpo.

Percorremos grande parte da costa no barco e ainda demos um salto para lá do Porto de Luanda, com passagem pela "Ilha" (a Costa da Caparica de Luanda). Ao largo do Porto estão estacionados dezenas de cargueiros à espera de vez para poderem descarregar tudo o que Luanda precisa para se manter em ritmo acelerado.

Ao cabo de três semanas o balanço é francamente positivo. Só poderemos crescer como seres humanos se sairmos da nossa zona de conforto, das nossas rotinas e hábitos. Não há nenhum dia igual a outro, existem sempre situações e desafios que é preciso ultrapassar ainda para mais quando estamos em contacto com uma cultura completamente diferente da nossa, apesar da proximidade da língua (aqui o português é bem diferente) e da História (que também muito nos marcou).

Amanhã à mais.