
A grande maioria da sociedade tradicional angolana, tem como figura principal a mulher. É ela que trabalha a terra para sustento da família e gera os filhos que dão continuidade e poder ao clã. Ou seja eles são uns lambões e elas é que andam na labuta de sol a sol com os putos às costas. Por este motivo a saída da mulher da casa dos pais para a casa do marido, constitui para aqueles a perda de um precioso elemento de trabalho e, como tal eles merecem ser compensados por tal perda. Na realidade o Alambamento é a cerimónia para marcar a data do Casamento, o pedido à família da noiva. Na altura em que o noivo pretende pedir a mão da noiva em casamento, a família da noiva, geralmente os tios e tias, juntam-se e elaboram a carta do pedido.
O que é então a “Carta do Pedido”?
Trata-se de uma lista elaborada pelos tios, onde consta uma relação de coisas que o noivo tem de “comprar” para oferecer à família da noiva, como indemnização pelos gastos feitos com ela desde o seu nascimento até ao dia do casamento.
Basicamente é um dote que representa um bem valioso porque quanto maior o pagamento, maior prestigio terá a noiva. Nesta lista constam coisas tão originais como, o fato para o pai da noiva, fatos para os tios, panos para as tias, cerveja, vinho, gasosa, cabrito, boi e ainda dinheiro que pode variar entre as poucas centenas e os milhares de dólares. Este valor pode ainda ser superior, caso o noivo tenha saltado a janela... Saltar a janela significa que a noiva engravidou antes do casamento e claro, é justo que o pedido seja reforçado.
Na altura da entrega da carta do pedido, é marcada uma data para que o noivo possa voltar com o pedido feito, ou seja, com tudo o que consta na carta. De realçar que na altura da entrega do pedido, nem a noiva, nem o noivo assistem à entrega do mesmo, deixando esse trabalho para a família (pais e tios dos noivos). Cabe aos tios da noiva, conferir a entrega com o pedido que foi feito. Só depois de verificarem que está tudo em conformidade, é que o noivo é chamado à cerimónia, para que se inicie a marcação da data do casamento. Nesta altura o noivo é trazido às cavalitas por uma das tias da noiva, e à medida que vai passando pelos panos das tias estendidos no chão, tem de ir deixando dinheiro em cada um deles.
Isto é sempre a deslargar bué kumbu... Para além de não estar a ver a Ti Belita a alancar comigo às carrapichas!!!
Agora já só falta a noiva aparecer. Onde estará?
As tias geralmente dizem que está longe, muito longe e que precisam de dinheiro, muito dinheiro, para o candongas a ir buscar. Tretas, balelas. Está sempre ali por perto, normalmente no quarto ao lado, é mais uma artimanha para explorar o pobre coitado.
Aviso à navegação, pensem muito bem antes de dicarem uma angolana…
Depois do noivo largar mais uns kuanzas para o táxi, lá chega a noiva à sala, dando-se finalmente lugar à marcação da data do casamento. Escusado será dizer que esta cerimónia acaba com grande festão regado com o vinho, as cervejas e a comida que o noivo acabou de oferecer.
Só para perceberem a importância que este ritual tem na sociedade angolana, uma das marcas mais famosas de vinho em Angola está a usar o ritual do Alambamento num filme publicitário. Tá bem esgalhado, sim senhor, acredito que as vendas melhorem.
ps: agradecimento ao Conde de Angola pela inspiração.