quarta-feira, 30 de abril de 2008
sexta-feira, 25 de abril de 2008
A bicha e os buracos...
É verdade constato no retorno depois de duas semanas de ausência, deparo com a mesma realidade mas com ligeiras "makas" acentuadas, hoje demorámos de casa ao trabalho cerca de uma hora e isto porque enfiamos a frente do carro nos cruzamentos quando tinha que ser, passámos por uns apertos, em alguns sítios em 2ª fila e claro passar um vermelho... o normal.
A cidade está em obras e em mutação constante, mas as chuvas que têm caído degradam as já degradadas estradas, damos por nós a entrar em buracos do tamanho do mundo e não são daqueles que entras com um pneu e faz uns barulhos, são mesmo crateras onde entra o carro todo e tens a sensação que vais ter lá ao outro lado pelas Australias.
Vê-se que há um esforço para colocar alcatrão, mas é de todo impossível, tendo em conta que nunca se corta o trânsito, as ruas são asfaltadas com os carros e pessoas a passarem por todos os lados, a terra, pó e lixo não são limpos, logo o alcatrão não agarra e dura apenas 15 dias.
Aqui na rua as tampas de esgoto abateram, algo que também é normal, aí o risco é entrar com uma roda e o carro assentar por baixo e como já tinha referido aqui a sinalização dessas ratoeiras é feita com coisas que estão abandonadas no lixo ou seja por todo o lado, (ex: frigoríficos, fogões, latas, troncos, etc) essa sinalização não é constante porque como devem calcular vem um carro e pumbas, vem outro e pimbas, depois o que lá fica é um para-choques e outras peças automóveis, dependendo da cor do carro mais berrante ou não fica mais ou menos tempo até outro lá bater. Pois agora existe algo de mais fantástico e mais vistoso ou seja uma palmeira, é mais alta e tem os ramos, a malta bate primeiro nos ramos e nota logo a presença de algo estranho, com sorte aquilo pega e vai crescendo, acrescentando há forma/função algo mais estético e de cariz decorativo.
Como aqui ainda existem em alguns sítios iluminações de natal apesar de Dezembro já lá ir há 4 meses, sugiro que coloquem bolinhas e luzinhas nas palmeiras dos buracos, para serem de facto mais perceptíveis.
É apenas uma brincadeira, vejam lá... nem tudo o que eu digo é para levar a sério, são precisos é sinais de trânsito e guardas de segurança, aquilo das palmeiras de natal era brincadeirinha... se vir algum dia alguma destas por aí, vou-me sentir culpado.
A cidade está em obras e em mutação constante, mas as chuvas que têm caído degradam as já degradadas estradas, damos por nós a entrar em buracos do tamanho do mundo e não são daqueles que entras com um pneu e faz uns barulhos, são mesmo crateras onde entra o carro todo e tens a sensação que vais ter lá ao outro lado pelas Australias.
Vê-se que há um esforço para colocar alcatrão, mas é de todo impossível, tendo em conta que nunca se corta o trânsito, as ruas são asfaltadas com os carros e pessoas a passarem por todos os lados, a terra, pó e lixo não são limpos, logo o alcatrão não agarra e dura apenas 15 dias.
Aqui na rua as tampas de esgoto abateram, algo que também é normal, aí o risco é entrar com uma roda e o carro assentar por baixo e como já tinha referido aqui a sinalização dessas ratoeiras é feita com coisas que estão abandonadas no lixo ou seja por todo o lado, (ex: frigoríficos, fogões, latas, troncos, etc) essa sinalização não é constante porque como devem calcular vem um carro e pumbas, vem outro e pimbas, depois o que lá fica é um para-choques e outras peças automóveis, dependendo da cor do carro mais berrante ou não fica mais ou menos tempo até outro lá bater. Pois agora existe algo de mais fantástico e mais vistoso ou seja uma palmeira, é mais alta e tem os ramos, a malta bate primeiro nos ramos e nota logo a presença de algo estranho, com sorte aquilo pega e vai crescendo, acrescentando há forma/função algo mais estético e de cariz decorativo.
Como aqui ainda existem em alguns sítios iluminações de natal apesar de Dezembro já lá ir há 4 meses, sugiro que coloquem bolinhas e luzinhas nas palmeiras dos buracos, para serem de facto mais perceptíveis.
É apenas uma brincadeira, vejam lá... nem tudo o que eu digo é para levar a sério, são precisos é sinais de trânsito e guardas de segurança, aquilo das palmeiras de natal era brincadeirinha... se vir algum dia alguma destas por aí, vou-me sentir culpado.
segunda-feira, 21 de abril de 2008
Voltei, voltei, voltei de lá...
Pois é, a estadia nas Tugas acabou depressa, para as pessoas que estranharam eu não ter dito nada enquanto estive por lá, mil desculpas, mas uma agenda pior que a do Sócrates impediu qualquer tipo de contacto.
Para os visitantes assíduos prometo em breve novas crónicas, repletas de acontecimentos paranormais.
Para os visitantes assíduos prometo em breve novas crónicas, repletas de acontecimentos paranormais.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
segunda-feira, 24 de março de 2008
Barra do Dande





Em "auto-estrada" até à Barra do Dande, como vêm aquele troço é claramente asfaltado, ou melhor, já foi à 40 anos, o outro é uma pequena picada até à praia, pelo caminho são comuns alguns destroços de outros tempos, mas ao chegar ao destino, todas as mazelas, dores de costas provocadas pela Nissan Hardbody (em Portugal "Navarra" pobrezinha não sei como é que ela aguenta), todas as preocupações desaparecem no areal que nunca acaba, nos milhares de palmeiras e na água do mar quentinha (nesta altura algo barrenta devido ao rio que aqui desagua vir com pouco caudal).
Quando o calor aperta...quando a higiene diária assim o exige!
segunda-feira, 17 de março de 2008
sexta-feira, 14 de março de 2008
Ai, a minha vida...!
Lembram-se da história da compra das máscaras na feira de artesanato do bairro de benfica, certo?
Pois é, não é que agora este mambo (assunto) está a dar maka (problema)! Passo a explicar...
Aqui na tchamjada, para sair do país com artesanato é preciso colocar uns selos e carimbos (100kz = 1euro) num organismo qualquer, acho que é no ministério das relações exteriores ou algo do género.
Pedi a alguém que se mexe melhor nestes meandros burocráticos para tratar do assunto, levou as minhas máscaras e outras coisas de outras pessoas (um jogo de xadrez, estátuas do pensador, máscaras e outros berloques).
Os gajos carimbaram e selaram tudo, excepto, o quê??
AS MINHAS MÁSCARAS...
Qual foi o argumento para não o fazerem?
- Ais maiscara foi roubada em museu.
Mas qual museu qual quê???? Aquela cangalhada estava numa palhota qualquer, porque ainda cheiram a fumo, porque até me empestaram o quarto com um cheiro terrível. Algumas são de facto antigas ou meio escavacadas mas uma ou outra foi acabadinha de fazer.
O pior, para além de não colocarem o selo, ainda queriam ficar com elas, tiveram que ser arrancadas há força do balcão e parece que chegou mesmo a haver "molho".
Para meu infortúnio tenho que ver como resolvo isto, nem que para tal tenha que pagar uma ou outra gasosa. Mas sem máscaras não fico.
Dassss ele há coisas....
Bom fim de semana
Pois é, não é que agora este mambo (assunto) está a dar maka (problema)! Passo a explicar...
Aqui na tchamjada, para sair do país com artesanato é preciso colocar uns selos e carimbos (100kz = 1euro) num organismo qualquer, acho que é no ministério das relações exteriores ou algo do género.
Pedi a alguém que se mexe melhor nestes meandros burocráticos para tratar do assunto, levou as minhas máscaras e outras coisas de outras pessoas (um jogo de xadrez, estátuas do pensador, máscaras e outros berloques).
Os gajos carimbaram e selaram tudo, excepto, o quê??
AS MINHAS MÁSCARAS...
Qual foi o argumento para não o fazerem?
- Ais maiscara foi roubada em museu.
Mas qual museu qual quê???? Aquela cangalhada estava numa palhota qualquer, porque ainda cheiram a fumo, porque até me empestaram o quarto com um cheiro terrível. Algumas são de facto antigas ou meio escavacadas mas uma ou outra foi acabadinha de fazer.
O pior, para além de não colocarem o selo, ainda queriam ficar com elas, tiveram que ser arrancadas há força do balcão e parece que chegou mesmo a haver "molho".
Para meu infortúnio tenho que ver como resolvo isto, nem que para tal tenha que pagar uma ou outra gasosa. Mas sem máscaras não fico.
Dassss ele há coisas....
Bom fim de semana
quarta-feira, 12 de março de 2008
Lagostas do Cacuaco


07h00 - Domingo - Expedição Lagosta, para variar, trânsito, trânsito, trânsito e mais trânsito, para fazer +- 25 km em direcção ao Cacuaco, demorei +- 2 horas.
Missão: comprar lagostas, camarão e peixe fresquinho.
Fomos buscar a entendida na matéria , amiga de uma amiga, que tem uns amigos, tão a ver certo? Conections
Chegamos à praia, 500, 1000 pessoas em volta de um barco a puxar redes, desorganização organizada, uma voz de comando e aquilo até funciona dentro de alguma normalidade.
Peixe e marisco de todas as espécies, salpicos, areia para os olhos, encontrões.
Processo de venda: não existe balança, é tudo a olho e no caso das coisas mais pequenas à tigela/bacia.
+- 4kg Camarão algo pequeno 2000 kz (20 euros). (não me pareceu grande negócio, pelos vistos não é tempo de camarão... mas uma das moças estava grávida e com desejos, não queria ser responsável por uma criança com cara de camarão)
Sardinha com um tamanho enorme (sardinha mutante) mais parecia pescada nº5, nunca vi sardinha assim... ainda não provei, não sei como é de sabor. (também o carapau é enorme comparado com o nosso, outra coisa curiosa é o facto do atum fresco ser super barato, o pessoal normalmente não compra)
Vamos ao que interessa AS LAGOSTES
Fomos a uma palhota de uns pescadores negociar as lagostas, eles fazem o negócio e depois vão num instantinho ao mar ver as armadilhas/redes e trazem tudo fresquinho bem vivinho a saltitar. Dissemos que queríamos lagosta pequena +- 4kg , o preço depois de alguma luta ficou pelos 1000 kz (+-10 euros). Eles lá trouxeram as lagostas ficámos com +- 7kg, +- 18 lagostas, aqui ainda é normal depois de tudo, negociar "ais quebra", é tipo o resto que sobra para alem do que queres trazer, no nosso caso foram mais 3 lagostas mas mais pequenas.
Almoço para 4 pessoas, lagosta de todas as maneiras e feitios.
Objectivo: comer como se não houvesse amanhã.
Resultado: dor de barriga, nada de mais, de qualquer maneira valeu o facto de me ter lambuzado. É a gula senhores, é a gula...!
terça-feira, 11 de março de 2008
Kimbundu
O Kimbundu pertence ao grande grupo de família das línguas africanas designadas por "Bantu" , significa pessoas, o plural de "muntu", pessoa. O Kimbundu ainda é falado por muitas pessoas em toda Angola. Chamamos de kimbundu, ou língua de Angola, por ser a língua geral e mais falada no antigo reino de Ngola e ser a primeira a ser estudada e traduzida pelos Europeus.
Aqui ficam algumas frases:
Kiami kandandu, kia muxima kamba - O meu abraço, amigo do coração
Kima kiki kiame - Isto é meu; lit. Esta coisa é minha
Kizua kiazele - Dia claro; lit. O dia está claro.
Kuta xiri - Ta xiri - Ter esperança.
Trengo - Terengo - Acanhado, idiota; indivíduo maçador.
Aqui ficam algumas frases:
Kiami kandandu, kia muxima kamba - O meu abraço, amigo do coração
Kima kiki kiame - Isto é meu; lit. Esta coisa é minha
Kizua kiazele - Dia claro; lit. O dia está claro.
Kuta xiri - Ta xiri - Ter esperança.
Trengo - Terengo - Acanhado, idiota; indivíduo maçador.
Fogo Negro
Meu acto de fé…
No kapussoka: a travessia.
Meu destino: muxima ué.
Nunca eu ouvia
A canção da kianda ao anoitecer
(Mambos por resolver),
Até me arrancares
Do peito esse maboque
E me curares
Com o teu toque.
Meu milongo ardente…
Minha boca fica aberta, abuamada.
Tuas pálpebras acenam, lentamente.
Boca aberta… boca calada,
Pois teus olhos falam mais alto.
Meu sobressalto…
Ondalu negro. Veludo,
Semba, magia esquecida.
Porque hoje me deixas mudo
Dás-me a voz ontem perdida.
Minha vida…
Preta…Ngueta…Nosso dilema.
Que as barreiras se desfaçam
Quando as nossas línguas se abraçam
Num beijo ou num poema.
Jeitos e trejeitos da língua Kimbundu:
Kapussoka – Barco que faz a travessia de Luanda para o Mussulo
Muxima ué – Teu coração
Kianda – Sereia
Mambos – Assuntos
Maboque – Fruto ácido
Milongo – Remédio
Abuamada – Espantada
Ondalu – Fogo
Semba – Uma dança
Ngueta – Pessoa de raça branca
Por TheVlad - www.escritacriativa.com
No kapussoka: a travessia.
Meu destino: muxima ué.
Nunca eu ouvia
A canção da kianda ao anoitecer
(Mambos por resolver),
Até me arrancares
Do peito esse maboque
E me curares
Com o teu toque.
Meu milongo ardente…
Minha boca fica aberta, abuamada.
Tuas pálpebras acenam, lentamente.
Boca aberta… boca calada,
Pois teus olhos falam mais alto.
Meu sobressalto…
Ondalu negro. Veludo,
Semba, magia esquecida.
Porque hoje me deixas mudo
Dás-me a voz ontem perdida.
Minha vida…
Preta…Ngueta…Nosso dilema.
Que as barreiras se desfaçam
Quando as nossas línguas se abraçam
Num beijo ou num poema.
Jeitos e trejeitos da língua Kimbundu:
Kapussoka – Barco que faz a travessia de Luanda para o Mussulo
Muxima ué – Teu coração
Kianda – Sereia
Mambos – Assuntos
Maboque – Fruto ácido
Milongo – Remédio
Abuamada – Espantada
Ondalu – Fogo
Semba – Uma dança
Ngueta – Pessoa de raça branca
Por TheVlad - www.escritacriativa.com
segunda-feira, 10 de março de 2008
Feira de Artesanato Bairro de Benfica - Luanda
07h00 - Sábado - Feira de artesanato em Benfica, trânsito, trânsito, trânsito e mais trânsito, para fazer +- 20 km demorei +- 3 horas.
Cheguei, ufa, a feira é um sítio onde gente de todo o lado se reune para vender as suas obras (Angola, Congo, Zaire, Namíbia), dá para encontrar de tudo e nos mais diversos tipos de madeiras (pau preto, pedra, sabão, o famoso o tál de cabinda, etc), jogos de xadrez, estátuas, mesas trabalhadas, telas e máscaras as minhas preferidas, o assédio é constante, és completamente rodeado, perseguido mesmo, basta colocares os olhos em alguma coisa numa das bancas esse tipo já não te larga. A minha procura pela bela pechincha começou, vi uma máscara logo na primeira banca que gostei, perguntei o preço e o "artista" disse de boca cheia:
- Meu cota, meu camba (meu amigo, companheiro, algo assim) preço barato 8000 Kz (80 euros)
- Quê???? Dassss, porrr***, tás a gozar comigo, como é então você????? Eu sou muito angolano, sou pula mas a mim não me enganas. (isto sou eu a falar com sotaque e a praguejar ao mesmo tempo para parecer cá da terra)
- Meu cota, leva mais que uma eu faz bom preço, eu faz 8000 kz por duas máscaras.
Ok, bastou um exclamação e já era metade do preço, não estava a correr mal, eu sempre a andar e o gajo não me largava.
- Ouve deslarga-me que eu vou ver o resto da feira, já falamos mais.
Cheguei a outra banca onde vi máscaras mais do género que eu procurava (velhas, antigas, sujas, encardidas mesmo, com terra e a cheirar a fumo), lindas de tão feias, tão a ver, certo?
- Meu cota, quanto valem as máscaras?
- Vali 3000 kz, as grandi.
- Quê???? Dassss, porrr***, tás a gozar comigo, como é então você????? Eu sou muito angolano, sou pula mas a mim não me enganas. (a mesma cassete)
- Quanto quer ofiriceri????
- Bem eu quero levar 5 máscaras se me fizeres 1000 kz, cada.
- Ai pouco dinheiro não podi ser, artista perde dinheiro, não tem como e tal e coisa.
Eu comecei a andar...
- Padrinho, padrinho, vem, vem, faz 5000 kz 3 máscara.
- Não assim não!
tic tac tic tac tic tac
- Pronto então faz 5 máscara 6000 kz, para ajudar o artista, para poder trabalhar com material milhor.
- Ok, Vado (nome do artista) mete aí isso num saco, mas ainda vais dar uma das mais pequenas de oferta?
tic tac tic tac tic tac
E ele lá ofereceu uma pequena até bem gira.
Com isto tudo, já eu estava depenado em 6000 kz (60 euros), nem sequer acho que fiz grande negócio isto porque algumas das máscaras são mesmo rústicas, menos vendáveis, normalmente as pessoas compram aquelas todas brilhantes e envernizadas, com mais um quarto de hora de conversa tinha baixo o preço.
Lá vou eu para o carro e quem aparece, o "artista" da 1ª banca, com um saquinho na mão com a máscara, a dizer que eu lhe tinha prometido que comprava.
1º - não tenho dinheiro kuanzas, só alguns dolars
2º - a máscara era bem bonita, mas limpinha de mais para o meu gosto
3º - a insistência e a perseguição foi tanta que não me apetecia comprar aquele tipo
- Como é broxo (esta é outra para amigo) não tenho kuanzas, tenho aqui 20 dolars (14 euros) aceitas? É pegar ou largar, vou entrar no carro para ir embora, tu pediste muito dinheiro e eu fui comprar a outro lado.
- Ok meu cota leva lá a máscara, na próxima vez compra outra na minha banca.
Missão cumprida, mais umas horas e estou em casa para almoçar, lanchar ou quiçá a tempo de jantar.
Cheguei, ufa, a feira é um sítio onde gente de todo o lado se reune para vender as suas obras (Angola, Congo, Zaire, Namíbia), dá para encontrar de tudo e nos mais diversos tipos de madeiras (pau preto, pedra, sabão, o famoso o tál de cabinda, etc), jogos de xadrez, estátuas, mesas trabalhadas, telas e máscaras as minhas preferidas, o assédio é constante, és completamente rodeado, perseguido mesmo, basta colocares os olhos em alguma coisa numa das bancas esse tipo já não te larga. A minha procura pela bela pechincha começou, vi uma máscara logo na primeira banca que gostei, perguntei o preço e o "artista" disse de boca cheia:
- Meu cota, meu camba (meu amigo, companheiro, algo assim) preço barato 8000 Kz (80 euros)
- Quê???? Dassss, porrr***, tás a gozar comigo, como é então você????? Eu sou muito angolano, sou pula mas a mim não me enganas. (isto sou eu a falar com sotaque e a praguejar ao mesmo tempo para parecer cá da terra)
- Meu cota, leva mais que uma eu faz bom preço, eu faz 8000 kz por duas máscaras.
Ok, bastou um exclamação e já era metade do preço, não estava a correr mal, eu sempre a andar e o gajo não me largava.
- Ouve deslarga-me que eu vou ver o resto da feira, já falamos mais.
Cheguei a outra banca onde vi máscaras mais do género que eu procurava (velhas, antigas, sujas, encardidas mesmo, com terra e a cheirar a fumo), lindas de tão feias, tão a ver, certo?
- Meu cota, quanto valem as máscaras?
- Vali 3000 kz, as grandi.
- Quê???? Dassss, porrr***, tás a gozar comigo, como é então você????? Eu sou muito angolano, sou pula mas a mim não me enganas. (a mesma cassete)
- Quanto quer ofiriceri????
- Bem eu quero levar 5 máscaras se me fizeres 1000 kz, cada.
- Ai pouco dinheiro não podi ser, artista perde dinheiro, não tem como e tal e coisa.
Eu comecei a andar...
- Padrinho, padrinho, vem, vem, faz 5000 kz 3 máscara.
- Não assim não!
tic tac tic tac tic tac
- Pronto então faz 5 máscara 6000 kz, para ajudar o artista, para poder trabalhar com material milhor.
- Ok, Vado (nome do artista) mete aí isso num saco, mas ainda vais dar uma das mais pequenas de oferta?
tic tac tic tac tic tac
E ele lá ofereceu uma pequena até bem gira.
Com isto tudo, já eu estava depenado em 6000 kz (60 euros), nem sequer acho que fiz grande negócio isto porque algumas das máscaras são mesmo rústicas, menos vendáveis, normalmente as pessoas compram aquelas todas brilhantes e envernizadas, com mais um quarto de hora de conversa tinha baixo o preço.
Lá vou eu para o carro e quem aparece, o "artista" da 1ª banca, com um saquinho na mão com a máscara, a dizer que eu lhe tinha prometido que comprava.
1º - não tenho dinheiro kuanzas, só alguns dolars
2º - a máscara era bem bonita, mas limpinha de mais para o meu gosto
3º - a insistência e a perseguição foi tanta que não me apetecia comprar aquele tipo
- Como é broxo (esta é outra para amigo) não tenho kuanzas, tenho aqui 20 dolars (14 euros) aceitas? É pegar ou largar, vou entrar no carro para ir embora, tu pediste muito dinheiro e eu fui comprar a outro lado.
- Ok meu cota leva lá a máscara, na próxima vez compra outra na minha banca.
Missão cumprida, mais umas horas e estou em casa para almoçar, lanchar ou quiçá a tempo de jantar.
terça-feira, 4 de março de 2008
Ok, admito...!
Ok, admito, tenho saudades... da família, dos amigos e especialmente da minha neguinha. Sinto alguma falta do frio, da mantinha no sofá, da minha televisão, da neve, do snowboard. Das comidinhas, da limpeza, do silêncio, da minha cama, de abrir o meu frigorífico, do sol de inverno na esplanada da Saccor. Falar ao telefone sem pensar na conta, da velocidade da internet, da FOX, das conversas de bola e gajas e não por esta ordem.
Ok prontos, pá... admito tenho SAUDADES.
Apesar de tudo, gosto de Luanda, do sol, dos 33º, da loucura do trânsito, da praia, do verão fora de tempo, das pessoas. Gosto o suficiente para ficar por mais uns tempos.
A todos, beijos e abraços.
Ok prontos, pá... admito tenho SAUDADES.
Apesar de tudo, gosto de Luanda, do sol, dos 33º, da loucura do trânsito, da praia, do verão fora de tempo, das pessoas. Gosto o suficiente para ficar por mais uns tempos.
A todos, beijos e abraços.
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Ena pá, a fossa está entupida!
Como já tinha dito num post anterior, existe uma certa intimidade/promiscuidade entre a nossa WC e a cozinha da vizinha, pois então, esta manhã algo de inesperado aconteceu.
Estava eu no duche às 07h00 da matina, refastelado a tentar acordar, quando de repente ouço berros, pancadas, coisas a cair... algo normal, pensei eu, a Samira, Africana, Zamora (uma das +-10 filhas da vizinha) está a apanhar outra vez... mas não, era mesmo a senhora esbaforida, processa, a bater na janela a dizer que eu lhe estava a inundar a cozinha com merd****, enquanto ela estava a cozinhar.
Ena pá, a fossa está entupida!
Ora eu primeiro que percebesse que a maka era comigo e até estava só meio ensaboado continuei como se nada fosse e aquilo a inundar. Bem lá acabei o duche, continuei a ouvir desaforos, fui para o quarto, tratei de me vestir e de sair de casa o mais rápido possível. Vamos lá ver como vai ser a entrada em casa logo à noitinha, se houver maka peço ao segurança para ir buscar a kalash à despensa.
Estava eu no duche às 07h00 da matina, refastelado a tentar acordar, quando de repente ouço berros, pancadas, coisas a cair... algo normal, pensei eu, a Samira, Africana, Zamora (uma das +-10 filhas da vizinha) está a apanhar outra vez... mas não, era mesmo a senhora esbaforida, processa, a bater na janela a dizer que eu lhe estava a inundar a cozinha com merd****, enquanto ela estava a cozinhar.
Ena pá, a fossa está entupida!
Ora eu primeiro que percebesse que a maka era comigo e até estava só meio ensaboado continuei como se nada fosse e aquilo a inundar. Bem lá acabei o duche, continuei a ouvir desaforos, fui para o quarto, tratei de me vestir e de sair de casa o mais rápido possível. Vamos lá ver como vai ser a entrada em casa logo à noitinha, se houver maka peço ao segurança para ir buscar a kalash à despensa.
Ainda bem que me sinto seguro!
Isto de viver em Luanda não é fácil, os relatos de assaltos e violência são constantes, à conta disso existe uma "indústria" de agências de segurança que são dos principais empregadores do país. Todas as casas têm em média dois ou três seguranças que se vão revezando nos diversos turnos garantindo uma protecção de 24 horas.
Acabei de chegar do almoço, entrei, bati a porta, fui buscar a máquina e aqui está...
Ainda bem que eu me sinto seguro!
Acabei de chegar do almoço, entrei, bati a porta, fui buscar a máquina e aqui está...
Ainda bem que eu me sinto seguro!
O "gira bairro" preparado para a neve.
Existe em mim uma dúvida que me assola profundamente, aqui na Tchamja há muitos carros importados, tudo o que é Toyota Starlet (aka “Gira Bairro”), Corolla e Rav4 vem da Bélgica, Suíça, Holanda e Alemanha, até aqui tudo bem, não fosse o facto dos carros terem todos os autocolantes na traseira que indica a sua proveniência, sem isso nem se dava pela diferença.
Ora bem lá na Europa no mercado de usados os carros são vendidos normalmente com kits e acessórios para a neve, os comuns “porta skis", são uma constante porque a neve cai em grandes quantidades e isso é normal, ora a malta aqui acha uma piada aquilo e mantêm os carros com os acessórios. Então é super normal ver carros com as barras no tejadilho com “porta skis” e por vezes, melhor ainda, desencontrados, ou seja, na barra da frente no lado direito e o da barra de traz no lado esquerdo, existem ainda aqueles modelos mais xunning em que são colocados juntinhos na traseira a servir de “aileron”.
Ele há coisas fantásticas, não há...!
Ora bem lá na Europa no mercado de usados os carros são vendidos normalmente com kits e acessórios para a neve, os comuns “porta skis", são uma constante porque a neve cai em grandes quantidades e isso é normal, ora a malta aqui acha uma piada aquilo e mantêm os carros com os acessórios. Então é super normal ver carros com as barras no tejadilho com “porta skis” e por vezes, melhor ainda, desencontrados, ou seja, na barra da frente no lado direito e o da barra de traz no lado esquerdo, existem ainda aqueles modelos mais xunning em que são colocados juntinhos na traseira a servir de “aileron”.
Ele há coisas fantásticas, não há...!
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
A minha cruz...
A pedido de várias famílias passo a descrever a minha rotina diária, para que não pensem que isto é só lazer:
De 2ª a 6ª
07h00 – Alle ups, alvorada, grua para sair da cama, guindaste para me levar até ao duche e mal entro no WC já sei o que vai ser o almoço da vizinha, é que o nosso WC dá para um pátio/cozinha da casa do lado e a senhora faz comida para fora em quantidades industriais por isso começa +- às 06h30 - 07h00 a cozinhar. Já quase que dá para saber a ementa conforme os dias da semana, à 5ª é bacalhau e à 6ª feijão/grão algo do género. No outro dia era pato ou galinha, se o bicho lá chegou vivo, isso não sei, agora que o bicho foi depenado e chamuscado e outras coisas mais isso o meu nariz sabe que aconteceu. Nota explicativa: A casa tem janelas e vidros, mas por norma no WC ficam fechadas apenas as portadas laminadas exteriores.
07h45+-08h30 – O reencontro com a cidade/trânsito/confusão e tudo e tudo e tudo...
O pequeno trajecto de +-3km pode demorar entre 5 a 45 minutos e pelo que dizem quando começar a chover a sério este percurso pode mesmo ser impossível de realizar, porque os buracos que por enquanto só fazem alguma moça aos amortecedores passam a engolir o carro por completo. Pelo caminho vamos encontrando os mais diversos cenários, desde a relativa normalidade do nosso bairro, ao acesso há zona dos palácios, o trazan debaixo da palmeira desde o 1º dia que aqui cheguei (nome artístico dado por nós, a um tolinho que vive num jardim e que traja uma tanga/farrapo igual ao tarzan), a zona dos palácios com um aspecto completamente europeu, bons arruamentos, jardins, boa iluminação. A passagem a serpentear tipo candongueiro para ver quem consegue meter a frente nos cruzamentos, passar o sinal vermelho para atravessar a estrada e começar a subir até às Ingombotas. Pela rua fora tentaram-me vender pelo vidro “fechado”, canetas Mont Blanc, relógios Diesel, óculos Ray Bantes, cruzetas, escovas para o carro, tapetes, material de escritório, jornais, pão, peixe, carregadores de telemóvel, telemóveis, sapatos, camisas e gravatas, secadores, ferros de passar, ventoinhas, há mais, mas já estou farto de escrever.
08h30 – 12h45 – Labuta para ganhar o kumbu para a pápa.
+-12h45 +- 14h00 – Almoçarinho numa casa aqui do outro lado da estrada, onde moram outros expatriados.
14h00 +-19h30 – Mais kumbu.
+- 20h00 +- 20h30 – O percurso inverso com as mesmas makas mas completamente de noite.
20h30 – 22h30 Devorar a janta e aterrar no sofá, botar conversa fora ver os telejornais da SICN ou RTP, tentar manter a pestana aberta até às 22h30 e em ocasiões especiais até ver um filme nos TVC.
Fim de semana (isso já conhecem)
Praia na Ilha, Praia em Cabo Ledo, Praia no Mussulo, dar uns giros e espalhar algum brilho.
ps: vou tentar ilustrar este post com fotos dêem-me tempo, tá!
De 2ª a 6ª
07h00 – Alle ups, alvorada, grua para sair da cama, guindaste para me levar até ao duche e mal entro no WC já sei o que vai ser o almoço da vizinha, é que o nosso WC dá para um pátio/cozinha da casa do lado e a senhora faz comida para fora em quantidades industriais por isso começa +- às 06h30 - 07h00 a cozinhar. Já quase que dá para saber a ementa conforme os dias da semana, à 5ª é bacalhau e à 6ª feijão/grão algo do género. No outro dia era pato ou galinha, se o bicho lá chegou vivo, isso não sei, agora que o bicho foi depenado e chamuscado e outras coisas mais isso o meu nariz sabe que aconteceu. Nota explicativa: A casa tem janelas e vidros, mas por norma no WC ficam fechadas apenas as portadas laminadas exteriores.
07h45+-08h30 – O reencontro com a cidade/trânsito/confusão e tudo e tudo e tudo...
O pequeno trajecto de +-3km pode demorar entre 5 a 45 minutos e pelo que dizem quando começar a chover a sério este percurso pode mesmo ser impossível de realizar, porque os buracos que por enquanto só fazem alguma moça aos amortecedores passam a engolir o carro por completo. Pelo caminho vamos encontrando os mais diversos cenários, desde a relativa normalidade do nosso bairro, ao acesso há zona dos palácios, o trazan debaixo da palmeira desde o 1º dia que aqui cheguei (nome artístico dado por nós, a um tolinho que vive num jardim e que traja uma tanga/farrapo igual ao tarzan), a zona dos palácios com um aspecto completamente europeu, bons arruamentos, jardins, boa iluminação. A passagem a serpentear tipo candongueiro para ver quem consegue meter a frente nos cruzamentos, passar o sinal vermelho para atravessar a estrada e começar a subir até às Ingombotas. Pela rua fora tentaram-me vender pelo vidro “fechado”, canetas Mont Blanc, relógios Diesel, óculos Ray Bantes, cruzetas, escovas para o carro, tapetes, material de escritório, jornais, pão, peixe, carregadores de telemóvel, telemóveis, sapatos, camisas e gravatas, secadores, ferros de passar, ventoinhas, há mais, mas já estou farto de escrever.
08h30 – 12h45 – Labuta para ganhar o kumbu para a pápa.
+-12h45 +- 14h00 – Almoçarinho numa casa aqui do outro lado da estrada, onde moram outros expatriados.
14h00 +-19h30 – Mais kumbu.
+- 20h00 +- 20h30 – O percurso inverso com as mesmas makas mas completamente de noite.
20h30 – 22h30 Devorar a janta e aterrar no sofá, botar conversa fora ver os telejornais da SICN ou RTP, tentar manter a pestana aberta até às 22h30 e em ocasiões especiais até ver um filme nos TVC.
Fim de semana (isso já conhecem)
Praia na Ilha, Praia em Cabo Ledo, Praia no Mussulo, dar uns giros e espalhar algum brilho.
ps: vou tentar ilustrar este post com fotos dêem-me tempo, tá!
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Cores & Sabores




Gambas ao Alho muito saborosas.
Calulu é um prato típico de Angola. Pode ser confeccionado com peixe seco e fresco ou com carne seca. Entre os restantes ingredientes contam-se o tomate, o alho, os quiabos, a batata doce, o espinafre, a abobrinha e o óleo de palma.
O Funge ou Pirão é um acompanhamento culinário típico de Angola. É confeccionado com farinha de milho ou de mandioca (bombó). A farinha é cozida e mexida com muita frequência e de forma enérgica para que se obtenha a consistência certa. A variante feita com milho adquire uma tonalidade amarela, enquanto que a confeccionada com mandioca apresenta uma cor acinzentada, com laivos de castanho. A consistência final assemelha-se, de certa forma, a uma cola, dado o seu carácter pegajoso.
Jindungo, também é conhecido pelos nomes de maguita-tuá-tuá, ndongo, nedungo e piripíri. Concentra na sua composição altos índices de vitamina C, ácido fólico, betacarotenovitamina A, vitamina E, magnésio, ferro e aminoácidos, além de diversas substâncias anticancerígenas.
Caipirinha de Maracujá, palavras para quê?
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